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Em Teófilo Otoni, religiões de matrizes africanas  resistem apesar da perseguição

ROBERTO MARCOS - VOX

Sexta-feira, 23/4/2021, às 16h56min - Editoria de AUTORAIS

Apesar de representarem algo em torno de 0,2% da população de Teófilo Otoni, as religiões de matrizes africanas são disparadamente as que mais sofrem com crimes de intolerância. Segundo uma liderança religiosa ouvida pelo VOX (que não quis se identificar), até imóveis para alugar com essa finalidade vão se tornando raros. "Quando o proprietário descobre a finalidade da locação, alega que os vizinhos não aceitam a presença do centro" e o negócio não pode ser consumado.

Também entre as religiões, os praticantes de Umbanda e Candomblé em Teófilo Otoni são aqueles vistos como alvos de toda a intolerância possível. Para a mesma liderança ouvida, "nenhuma outra religião sofre com tanto preconceito". Até a vestimentas e acessórios são "percebidos com ódio" por aquelas pessoas que professam outras religiões. "Um simples acessório que lembre religião de matriz africana, ao ser vista, produz rejeição imediata", acrescentou G.M.A., de 58 anos, morador do Bairro Palmeiras.

Ele acrescentou que o Candomblé, por exemplo, está praticamente extinto em Teófilo Otoni, restando aos admiradores do "movimento" uma certa imitação. Ele admite, todavia, que mesmo nas religiões de matrizes africanas existem os "picaretas" como em todas as outras. Mas o real motivo do enfraquecimento da religião tem sido, de fato, a perseguição empreendida por outros setores religiosos da sociedade.

Ele chamou a atenção para o fato de que pais e mães de santo como Quelé (do Bairro Palmeiras), Shirley (Jardim São Paulo) Seu Eduardo (Jardim São Paulo), Zé Carlos (Vila Barreiros), Betinho (Vila Pedrosa) e Rodrigo (Jardim Iracema), entre outros que não foram citados pelo conteúdo do VOX são uma espécie de front de resistência.

Os principais problemas enfrentados pelos religiosos são discriminação, difamação e intolerância religiosa. Entre agressores verbais e físicos, surpreende a participação de membros de outras religiões, que deveriam pregar o oposto, segundo G.M.A. Para ele, esses ataques são resultado do racismo estrutural do Brasil. "A intolerância ocorre devido ao fato de que as religiões, em Teófilo Otoni principalmente, são comandadas por negros, pessoas que passam por outras situações de discriminação. Mas a nossa religião é a que mais acolhe, sejam negros, brancos, LGBTs, heterossexuais, seja lá quem for".

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