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Postes pela cidade são a vitrine
de embusteiros, adivinhos e trambiqueiros

SALA DE REDAÇÃO - VOX

Domingo, 30/5/2021, às 06h56min - Editoria de CIDADE

Não é raro, nos dias atuais, que ainda seja encontrada toda sorte de embusteiros e mentirosos que, aproveitando-se da ingenuidade e medo das pessoas, usa de seus subterfúgios para prospectar algum dinheiro. O alvo preferencial são sempre pessoas desiludidas, cansadas e mal instruídas que buscam essas pessoas com a pretensão de antecipar a própria sorte, ter contato com adivinhações, prever o futuro, entre outros sortilégios.


VOX foi conferir e apurou que não é impossível que se encontrem anúncios na mídia impressa de fulano ou sicrano com promessas de trazerem de volta o amor perdido, reatar casamentos desfeitos, amarrar a pessoa amada e outras abominações até mais severas, como a decadência física, moral e financeira de desafetos.

Nos postes de Teófilo Otoni, na região da Feirinha, por exemplo encontram-se anúncios que prometem trazer seu amor de volta, com a possibilidade de uma amarração definitiva. “Mãe Isso” e “Pai Aquilo” garantem que a mandinga funciona em troca de uma módica quantia, que pode, em alguns casos, ser paga parceladamente no cartão ou em troca de bens que o “cliente” pode adquirir.


Apesar da poluição visual que tais anúncios distribuídos pelos postes causam (sobretudo em uma cidade que já tem cuidado nenhum com essa questão), VOX concluiu que as pessoas naturalizaram essa situação. O fato é que, desde tempos imemoriáveis, as pessoas recorrem à magia para tentar consertar o passado e assegurar o futuro. E quase sempre estão dispostas a pagar por isso.

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Para A.M.J., de 59 anos, reconhecido sensitivo residente na Vila Barreiros (pediu para não ser identificado), o que incomoda intelectual e emocionalmente nas “amarrações feitas por essa gente” é seu objetivo. Para o entrevistado pelo VOX, parece fundamentalmente equivocado. Por que trazer de volta quem nos machuca, em vez de nos ajudar a ficar livre do problema? Eis a questão. Quem já passou por desastres amorosos sabe como funciona.


“Quando a pessoa que você ama vai embora, o mundo ao seu redor desaba. É difícil dormir, é pior acordar, comer torna-se um fardo e conviver um inferno. Nesses momentos de dor absoluta, em que a ausência do outro nos sufoca, somos capazes de coisas absurdas para ter de volta nosso objeto de desejo. E aí que nos tornamos presas fáceis”, alertou o entrevistado.

 

Mesmo reconhecendo que deve haver, sim, pessoas sérias que atuam em algo absolutamente incomensurável como a prática da adivinhação, e diferenciando tal prática de religiões com matrizes afro-brasileiras como Umbanda e Candomblé (que precisam ser preservadas e respeitadas), o VOX adverte os seus leitores para os riscos que existem nessa prática.

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